Quarta, 20 de Novembro de 2019
BRASIL
Pesquisa aponta Brasil como o país mais isolado musicalmente do mundo
Imagem: Reprodução
Publicado em 14/10/2019

Brasileiro gosta mesmo é de música brasileira. A princípio, essa afirmação parece absurda. Mas, de acordo com levantamento feito pelo DataFolha, a partir das faixas mais tocadas no Spotify em todos os países, o brasileiro prefere ouvir a própria música.

Segundo a pesquisa, hits no Spotify no país dificilmente são sucesso lá fora e vice-versa. Atualmente, o funk até consegue chegar às paradas de países da América Latina, mas o sucesso internacional da produção nacional ainda é limitado a hits e situações pontuais.

Para o doutor em ciência da comunicação pela USP e pesquisador de música popular, Eduardo Vicente, entre os fatores que levam a esse cenário está o fato de a língua portuguesa separar o Brasil dos demais países latino americanos.

No entanto, segundo Eduardo, “nenhum país na América Latina tem um percentual de consumo de repertório doméstico como o nosso. Podemos nos comparar a Estados Unidos, Japão, países da Europa”.

Um estudo do Nelson Oliveira Pesquisas de Mercado (Nopem), que lista, por ano, os discos mais vendidos no país desde 1965, mostra os artistas brasileiros como maioria. O pesquisador da USP afirmou que a maior entrada de sons estrangeiros aconteceu com as compilações, das trilhas de filmes e novelas e coletâneas de gênero.

Curiosamente, bandas tradicionais de rock, como Rolling Stones e Led Zeppelin, não aparecem sequer nas listas do Nopem. Em compensação, cantores de baladas como Elton John e Barbra Streisand são nomes frequentes. Na black music cantores como Stevie Wonder, Michael Jackson e Lionel Ritchie têm vários álbuns entre os mais vendidos no Brasil.

“Até o sertanejo já teve fases de influências da música paraguaia, mexicana e do country americano”, diz Vicente. “Além de fazermos versões, ‘imitando’ o artista internacional, temos forte essa cultura de absorção”. Para o professor, assim como acreditavam os tropicalistas, a música internacional entrou no Brasil misturada ou “antropofagizada”.

Por: Alta Pressão
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